Posted by: joseagripino on: Setembro 22, 2009
A situação do presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya refugiado, desde ontem, na embaixada brasileira em Tegucigalpa, trará uma série de tormentas diplomáticas para o Brasil, ou seja, estamos entrando numa desnecessária confusão. O que está em jogo é o futuro dos regimes democráticos da América Latina, maculados por uma nova geração de governantes que tentam ressuscitar os métodos ineficazes de cerceamento dos princípios democráticos por vias democráticas.
Os verdadeiros democratas apóiam uma forma de governo em que a maioria predomina em todas as questões públicas, mas nunca transgredindo os direitos básicos dos indivíduos nem subjugando os preceitos constitucionais que sustentam o sistema democrático. Devemos lembrar que Zelaya é acusado de violar a constituição hondurenha, o Congresso e a Suprema Corte para tentar um novo mandato. Curiosamente, mesmo sendo considerado um conservador no espectro político, Zelaya, eleito pelo Partido Liberal de Honduras, hoje é visto com simpatia pela esquerda por ter recebido o apoio do venezuelano Hugo Chávez em todas suas pretensões.
Um golpe é algo sempre condenável. A alternância de poder é fundamental para a democracia. Até porque não se justifica métodos ilegais para a tomada de poder político. Devemos recordar a célebre frase de Winston Churchill: “A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as demais que já foram experimentadas de tempos em tempos”. Entretanto, muitos analistas já preveem que o abrigo à Zelaya aprofundará ainda mais a divisão da sociedade hondurenha. É difícil saber se o acolhimento a Zelaya foi a melhor escolha, se o objetivo for a restauração urgente da democracia.
É inegável que ao dar abrigo ao presidente deposto, o Brasil assumiu um papel central na crise de Honduras e na geopolítica mundial. Por que Zelaya procurou refúgio na embaixada do Brasil? Ele é presidente na América Central. Por que não em uma embaixada centro-americana? Será que Lula “ofereceu” abrigo a Zelaya para ficar bem com a turma do Chávez?
No entanto, é crucial lembrar que através da democracia é possível a solução de conflitos de maneira pacífica, que seria a preservação das liberdades individuais. E o populismo ignora justamente isso, pregando uma democracia fajuta que não leva em conta os direitos individuais, degenerando em governos autoritários, como já ocorre em vários países latino-americanos. O populismo resiste mesmo diante dos mais contundentes fracassos.
Prezado Sr. Senador José Agripino,
Isso tudo faz parte da política econômica adotada pelo Brasil desde FHC. O país quer que sejam diminuídos os subsídios, principalmente os agrícolas de países ricos (EUA e União européia). Mas pra isso, precisa ter voz de maior peso na OMC (ONU). É aí que entra a necessidade da tão almejada cadeira no Conselho Permanente de Segurança.
Zelaya já afirmou que escolheu a embaixada do Brasil pelo fato de o país ter mais peso político em relação aos países da América Central e por ter a convicção de que o nosso país apoia 100% aos interesses legais da democracia em Honduras. Logicamente que houveram erros durante a permanência de Zelaya na embaixada, como por exemplo, fazer comícios e abrigar toda aquele pessoal desnecessário. Mas uma coisa que devemos levar em consideração é que, desde o golpe, nossa embaixada está sem o diplomata e os principais funcionários, não tendo assim portanto, uma voz de peso pra decidir o que pode ou não ser feito lá dentro. Não descarto aqui as fortes consequências que isso levará, mas o presidente Lula não iria sancionar a decição sem o respaldo do Itamaraty, que é uma instituição ultra-respeitada no exterior.
Se o Brasil sonha com uma vaga no CS da ONU ele precisa correr esses riscos “desnecessários”, a não ser que queiramos que o Brasil seja pra sempre um mero coadjuvante no cenário mundial.
Setembro 22, 2009 às 5:35 pm
Prezado Senador,
Primeiro que tudo, permita-me somar minha voz à dos muitos que o estão cumprimentando pelo importante marco atingido na vida política. Que Deus o proteja sempre com saúde e inspiração.
Sobre o golpe de Honduras: é fácil ver na constituição hondurenha que o que Zelaya estava tentanto fazer (mudar a constituição para se reeleger) era uma loucura, pois a não-reeleição é, naquele país, uma cláusula constitucional pétrea, e tentar mudar as cláusulas pétreas é considerado, pela mesma constituição, crime de traição. Claro que o remédio adotado (embora ungido pelo legislativo e judiciário, escudados na constituição) não é nada bonito. Mas vamos e venhamos: o golpe do General Lott foi golpe ou anti-golpe?
Saudações,
Isaias Coelho